O Bitcoin ficou praticamente estagnado por quase três semanas após um forte salto de US$ 18.000. Vale lembrar que, dentro de tendências fortes, o Bitcoin frequentemente faz pausas e depois, por vezes sem uma correção profunda, executa outro movimento potente. Assim, a incapacidade atual do Bitcoin de continuar subindo não significa necessariamente que o impulso local de alta esteja esgotado — mas esse impulso é local. No timeframe diário, o BTC está essencialmente preso a uma faixa. Os movimentos no gráfico diário de 2026 não parecem formar um flat, mas no gráfico semanal, sim; e qualquer timeframe pode formar um flat. Se esse timeframe for o semanal, o flat pode durar anos. O ponto crucial é que o Bitcoin agora está próximo do limite superior do canal lateral, o que torna plausível uma varredura de liquidez da máxima anterior ou, pelo menos, um simples recuo. Em qualquer caso, a tendência de baixa não foi rompida.
Esta semana, os EUA divulgarão os dados de inflação de agosto, a última grande publicação antes da reunião do Fed. O apelo do Bitcoin é sensível à política do Fed: quanto mais branda a política, melhor para os ativos de risco. Embora cortes de juros não estejam no horizonte, o mercado precificou maiores probabilidades de aperto nos últimos três meses — cenário nada ideal para o Bitcoin. Em nossa opinião, a probabilidade de aperto monetário em setembro permanece baixa. Acreditamos que o ímpeto do mercado de trabalho dos EUA está fraco e que a economia desacelera há vários trimestres. Na semana passada, Christopher Waller e John Williams disseram não ver motivos para aperto; por isso, avaliamos como baixas as chances de uma alta em setembro. A leitura do CPI de 11 de setembro pode elevar ou reduzir essas chances. Se o CPI de agosto confirmar a desinflação, uma pausa é provável; uma inflação mais elevada do que o esperado aumentaria as probabilidades de alta e pressionaria o Bitcoin. Assim, o dado de inflação — não os payrolls — é o catalisador decisivo para a decisão do Fed.
Panorama geral do BTC/USD no gráfico de 1 dia
No período diário, o Bitcoin permanece em uma tendência de baixa e entrou em um movimento flat. A estrutura da tendência é claramente de baixa, e o nível de CHOCH está em US$ 82.800, onde se formou a última máxima mais baixa (LH). Somente acima desse nível será possível afirmar que a tendência de baixa chegou ao fim.
Durante a maior parte de 2026, o BTC foi negociado entre US$ 60.000 e US$ 82.500, o que indica que o preço pode buscar a liquidez acima da última LH e iniciar um novo movimento em direção ao limite inferior do canal lateral.
Panorama geral do BTC/USD no gráfico de 4 horas
No período de 4 horas, o Bitcoin também está claramente em um movimento lateralizado e, por duas vezes, buscou liquidez para vender, formando duas desvios no limite superior do canal. Portanto, os traders receberam pelo menos dois sinais de venda, sugerindo que uma queda equivalente a 50% e 100% da largura do canal são possíveis alvos. Após esses dois desvios no limite superior, avaliamos que a probabilidade de um forte movimento de baixa é maior do que a de um rompimento para cima. Vale lembrar que o gráfico diário também está em um movimento flat e próximo do limite superior.
Recomendações de negociação para o par BTC/USD
O Bitcoin permanece em tendência de baixa, apesar da forte alta registrada na semana passada. Continuamos esperando uma queda até US$ 57.500 (retração de 61,8% de Fibonacci da tendência de alta de três anos), embora esse nível já tenha sido amplamente trabalhado pelo preço. Não acreditamos que a tendência de baixa tenha terminado. A alta recente se parece pouco com um movimento corretivo e mais com um pump. A liquidez pode ser capturada acima da máxima de US$ 82.850, o que poderia desencadear uma nova onda de baixa e confirmar uma transição para um movimento lateral.
No período de 4 horas, esperamos outra queda após uma segunda captura de liquidez nas máximas recentes. Consideramos bastante provável uma queda até US$ 75.500 nesta semana.
Observações sobre as ilustrações
CHOCH — Change of Character, ou rompimento da estrutura da tendência.
Liquidez — Stop Loss, ordens pendentes e outras formas de liquidez que os formadores de mercado utilizam para acumular posições.
FVG — Fair Value Gap, área de ineficiência de preço; o preço se movimenta rapidamente por essas áreas, indicando a ausência de um dos lados do mercado, e posteriormente tende a retornar e reagir nessa região, dando continuidade à tendência principal.
IFVG — Inverted Fair Value Gap, área invertida de ineficiência de preço. Após um retorno a essa área, o preço não reage, mas a rompe de forma impulsiva e, em seguida, realiza um novo teste pelo lado oposto.
OB — Order Block: vela na qual o formador de mercado executou uma operação para capturar liquidez e montar uma posição na direção oposta.
Lembrete sobre gestão de risco: mantenha disciplina em relação aos stops e ao tamanho das posições — os movimentos flat podem persistir, e os desvios podem produzir movimentos fortes e de curta duração.